COMO VOCÊ LIDA COM AS SUAS PERDAS?

luto

Todo ser humano está inserido em uma rede de relacionamentos que muitas vezes é interrompida por um episódio de morte. Além de quebrar fortes vínculos de afeto, a morte deixa um saldo de muitas outras perdas na vida de quem fica. O luto não está relacionado somente à morte, existem muitas formas de luto, por exemplo, quando perdemos um emprego, uma promoção profissional, o fim de um relacionamento, decepções entre outras perdas.

Embora sofrendo a perda da mesma pessoa, observamos que as reações de cada familiar são diferentes entre si. Este fato costuma gerar situações de muita angústia nas famílias. Cada pessoa tem uma forma de viver o luto e um tempo diferente para administrá-lo.

Na maioria das culturas o choro é uma das formas mais comuns de expressão da dor e do sofrimento. Mas, e quem não chora? Significa que não está sofrendo?

O senso comum defende a ideia de que quem chora está sentindo a dor da perda com intensidade, logo parece que quem não age desta forma não está sentindo a tristeza. Esta afirmação, além de não ser verdadeira, gera muita culpa naqueles que não conseguem expor seu pesar e sofrimento pela perda de uma pessoa querida de uma forma visível.

Por razões particulares, ligadas muitas vezes à história de vida e a traços de personalidade, as pessoas têm jeitos diferentes de expor seus sentimentos. Algumas pessoas demostram alegria, tristeza, preocupação de forma muito clara. Outras são discretas nessas manifestações, mas mesmo assim conseguem dar vazão a elas. Há aquelas que têm verdadeira dificuldade em demonstrar o que realmente estão sentindo. Isto não quer dizer, absolutamente que não estejam sentindo. A demonstração da dor não dimensiona necessariamente o tamanho dela.

É importante que cada pessoa encontre sua forma de dar vazão a dor da perda e que não será semelhante a do outro familiar. Se para alguns, ir ao cemitério é uma forma de encontrar algum alívio e viver a saudade de quem partiu. Para outros, esta visita pode tornar-se altamente estressante, tensa e de pouco alívio. O núcleo familiar deve ter espaço para que cada membro demonstre sua dor do jeito que pode do jeito que lhe pareça melhor.

A psicologia tem se ocupado do estudo das diferenças individuais em vários campos, incluindo o luto. Sabe-se que mesmo gêmeos idênticos têm personalidades completamente diferentes, porque cada ser humano é único em seu jeito de ser, de pensar, de agir e de sentir.

Assim também há muitos fatores que determinam a forma como cada pessoa reagirá à perda de alguém amado, como a história de vida, a infância, outras perdas que já teve sua capacidade de vincular-se, a relação que tinha com quem perdeu, por exemplo, a idade, o sexo, a cultura, dentre outras variáveis. Sendo assim podemos dizer que uma mesma perda, produz diferentes processos de luto numa família.

O luto tem cinco estágios: a negação e o isolamento, a raiva, a negociação, a depressão e a aceitação.

No primeiro estágio, a negação e o isolamento servem como um mecanismo de defesa transitório, um para-choque que suaviza o choque da notícia, uma renúncia a confrontar-se com a situação.

A raiva no segundo estágio é ocasião em que as pessoas ignoram tudo, a revolta que estão sentindo tornam-se por vezes agressivos. Como também a procura de culpados e questionamentos, tal como: “Por que ele?”, com a finalidade de suavizar o enorme sofrimento e revolta pela perda.

No terceiro estágio de reação à perda, a negociação é uma tentativa, de negociar o medo perante a situação; as pessoas buscam firmar acordos com figuras que segundo suas crenças teriam domínio de interferir sobre a situação de perda. Promessas são direcionadas a Deus e ainda aos profissionais de saúde que o acompanham.

A depressão, quarto estágio, é dividida em preparativa e reativa. A depressão reativa ocorre quando aparecem outras perdas devido à perda por morte, por exemplo, a perda de um emprego e, logo, um prejuízo financeiro, como ainda a perda de papéis do domínio familiar. Já a depressão preparativa é a ocasião em que a aceitação está mais próxima, é quando as pessoas ficam acomodadas, repensando e processando o que a vida fez com elas e o que elas cometeram na vida delas.

Por fim, o último estágio de reação à perda é o de aceitação. Chegando a esse estágio, as pessoas encontram-se mais suavizadas frente ao evento da morte. É o momento de expressar seus sentimentos, emoções, frustrações e dificuldades de forma mais clara. Apesar da saudade presente, e também se adaptando às mudanças ocasionadas pela perda, poderá retomar suas atividades, finalizando a última fase do luto, iniciando assim a reorganização, psíquico emocional.

 

A forma como as crianças manifestam seu pesar é diferente da forma como um idoso o faz. A época da vida em que perdemos uma pessoa pode ser um fator importante na forma como vamos viver esta perda. Os adolescentes, por exemplo, vivem uma fase da vida em que a onipotência é uma característica marcante- “posso viver perigosamente porque nada vai acontecer comigo”- e o processo de luto deles pode ser altamente influenciado por esta onipotência, sendo comum que eles tenham atitudes de negação diante da dor da perda de alguém querido ou em outras situações de perda.

Em geral os homens e as mulheres têm formas diferentes de ser, especialmente porque nossa cultura impõe valores rígidos ao homem quanto a sua expressão afetiva. O famoso “homem não chora” é ouvido por eles desde a infância e pode colaborar para um processo doloroso de contenção das emoções, já as mulheres parecem ter mais “autorização social” para manifestarem suas emoções. Portanto é importante, em momentos de perda, que a família compreenda as diferentes manifestações do luto para que isto não produza mais sofrimento.

É saudável sabermos que somos únicos porque nossa história é única e por isso temos um jeito único de dizer o que sentimos. Fique atento quanto ao tempo de sofrimento pela perda. Caso você não esteja conseguindo superar sua perda procure ajuda. Neste momento, o auxílio de um profissional da saúde, se faz necessário e, as intervenções psicológicas ajudaram o enlutado a enfrentar sua dor e seu sofrimento de maneira mais amena, sendo que este tende a priorizar o acolhimento e a escuta ao paciente enlutado.

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